1 de out. de 2010

Políticos de Cordel

A ausência do Bruxo neste mero blog não de deve o fato de falta de inspiração ou motivos alheios. A falta de tempo tem contribuído, e muito, para a omissão de cuidados com essa tela.

O Bruxo nunca escondeu seu lado político, mas sempre tentou evitar de falar no mesmo até por respeito as pessoas ao seu lado, sejam pessoais ou virtuais, mas como o assunto do momento até o próximo Domingo não será outro, eis a letra de uma música do gênio Juca Chavez, que teve a infelicidade de se candidatar a Deputado Federal nestas mesmas eleições.

Aproveitem.





Políticos de Cordel

"políticos de cordel, qualquer semelhança com políticos vivos ou mortos é mera coincidência premeditada"

Esse brasil é um puteiro a quiaína dá de novo, pois a puta é o próprio povo, o fregues ou é banqueiro, comerciante ou ladrão.

Político é o cafetão, a polícia cafetina, a imprensa a cocaína que vicia o cidadão.
Um médico é o charlatão, charlatão é o doutor, o estudante é um professor,o professor um vilão e o artista um marginal.

Ontem, hoje tudo igual e amanhã será o que, se a justiça é um crupiê? Vence a banca é natural!

Afinal quem é que fez essa grande confusão? Foi um herói português que expulsando outro francês afundou essa nação. Pois agora a solução é embrulha-la num jornal, devolve-la à Portugal e depois pedir perdão.

Presidente é quem preside, governador, quem governa. Como aqui é uma baderna, um cantador do nordeste disse uma frase batuta:"Se bicudo vem de bica e se grota vem de gruta, conforme a palavra indica, deputado vem de puta"!

Deus ajude que não morra o jeitinho brasileiro. Somos putas então, porra, que viva o nosso putero!

5 de set. de 2010

Heresia

Nos olhos de vidro apenas cansaço,
os mesmos cerrados, mirados, mollhados.
Pensamentos á dentro e na alma, avaria
tentando achar no corpo sinergia

Na memória um museu com os mais belos quadros,
palavras ecoam, passeiam, tudo sem sentido.
Vozes e choros sempre muito ralos,
apenas uma voz ecoa, tão perto, no ouvido.

Outra folha rasgada, outra lágrima no rosto,
dessa caneta agressiva a muito tempo nao ria.
Frases inacabadas, meros esboços,
nunca foi merecimento de tal poesia.

O silêncio me acompanha e não diz o que fazer,
de tanto recomeçar vejo apenas envelhecer.
As palavras eram fugas e nunca sabedoria,
jurei nada á ninguém, nem sequer heresia.

Medíocridade e belezas beirando a ironia,
balbuciando verdadeira e falsa calmaria
Ilusão a um, sinceridade a outro,
e comigo a poesia, minha eterna heresia.

24 de ago. de 2010

Trinta

Já aconteceu de certas situações trinta segundos de espera demorarem mais do que trinta minutos do mesmo.

E as vezes
trinta diálogos numa semana são nada do que trinta palavras bem ditas num relapso mental.

Pode tentar reunir
trinta pessoas queridas, mas nenhuma substitui trinta minutos com a pessoa que realmente te adora

E muitas vezes vale mais a pena andar
trinta metros de marcha ré para seguir mais trinta km a frente.

Acontece de estarmos em
trinta lugares magníficos, mas nada se iguala das trinta horas passadas naquela simples rua.

E na maioria das vezes
trinta segundos de paciência são mais válidos do que trinta anos de experiência.

Neste exato momento o Bruxo nao voltaria os exatos
trinta anos de experiência, mas adoraria passar mais trinta horas naquela rua, ter seus trinta segundos de paciência etc.

Quem sabe nos próximos trinta anos... ou dias?


1 de jul. de 2010

A Ferro e Fogo

Estranho se importar mais com pessoas que conhecemos a pouco tempo do que com pessoas que conhecemos há anos, ou décadas.


E essa "estranheza" não se deve ao fato de tentarmos ter sido diferentes ou, no mínimo, "algo" para esse tipo de pessoa. É simplesmente o fato de estarmos vendo que os mesmos estão seguindo o caminho errado.


Mas mesmo assim tentamos não nos importar. Vamos tratando á ferro e fogo algumas conversas, situações e até momentos, tentando ser o mais oblíquo, agudo e conciso possível para que não mergulhemos de cabeça nesse mar de sentimento, até certo ponto, inútil.


O problema é esse tipo de pessoa colocar a crista de cavalo em seus olhos e achar que agora está com novos princípios de vida. Concordo que depois que saímos de uma prisão sentimental a tendência é abrirmos asas para tudo (ou quase tudo) dentro do possível e imaginável. Algumas pessoas abrem tanto as asas que acabam esbarrando em outras pessoas, invariavelmente e muitas vezes sem se importar com o espaço alheio.


E daí não adianta reclamar. Depois de feito o “passatempo” um dos dois há de se importar mais com o outro. Isso é fato, é natural e é normal. O problema são os dois terem a mesma coerência de pensamento sobre toda essa saga e intenção de ambos.


Como disse um amigo do Bruxo, “existem momentos e momentos” e por mais que os mesmos se cruzam, é muito difícil ambos estarem com a mesma tonalidade, intenção e caminhos semelhantes.


O “Sim” acaba significando realmente sim e o “Não” realmente quer dizer não. Meias-palavras tornam-se meia-hora de reflexão e algumas afirmações fazem a mente girar numa noite inteira de pensamentos.


São nessas horas que compreendemos as palavras e começamos a tratá-las novamente de forma fria, calculista, igual uma máquina (já escrevi sobre isto), mas sem perder a sutileza e leveza da alma.


São nessas horas que começamos a tratar tudo, sejam palavras de forma seca e objetiva e a tratar situações e principalmente pessoas, a Ferro e Fogo.

21 de jun. de 2010

Tinta, papel e rabiscos.

Olhando pela janela entre os chuviscos,
Acabo me perdendo em suas palavras,
Tinta, papel e rabiscos.

O mesmo papel que derretia com lágrimas,
Esvairia a esperança de algo diferente.
Cansado do normal, de nós, da gente

Ao invés de me perder na vida,
Me perdi entre nossas vozes e sons.
Coração machucado, aberta da ferida.

No passado longe ou presente constante,
No ar e coração o futuro é sempre o amor,
Mas na memória e passado prevalece a dor.

E o tempo não perdoa, sempre magoa,
Palavras ao ar e ouvido distante,
Voz ecoando quase sempre a toa.

Dou o último tiro sabendo dos riscos,
Sei que é em vão como a deriva na proa,
Entre tinta, papel e rabiscos.

6 de jun. de 2010

The midnight dreams come true.

Esse poeminha foi feito sem nenhuma revisão, na hora e de forma instintiva. Provavelmente os milhões de leitores encontrarão alguns (ou vários) erros de ortografia e/ou concordância inglesa.

Mas sinceramente, não ligo.



The midnight dreams come true,
and I start to think how much from me you´re far.
Thinking in you I laught alone, so fool,
the sky shinning all the time with our stars.

For a moment, I cry like a child,
so indefense, but dreaming.
Walking on the streets, so wilde,
I´ll never forget this feeling.

I tried to find clouds in the sky,
for a moment my soul are so crue.
Our smiles so true and shy,
I believe the midnight dreams come true.

Two souls together, a fairytale.
But my heart was so hard, like a stone.
I always think on the people with fail,
I almost became a man who walks alone

To me you try to be comprehensive,
and I remember when you was talking.
The breaths in our skins are so intensive,
with our magic I still dreaming.

I don´t know if this is love or just crazy,
again I look to the sky and ask to the moon.
This can be real or a simple fantasy,
I just believe the Midnight dreams come true.

19 de mai. de 2010

O último café da manhã

O despertador tocou as 7:20 horas, como dias atrás.

A única obrigação daquele rapaz era aquela, mais nenhuma. Nas semanas atrás e naquele momento não havia emprego, estudos, tão pouco obrigações, pelo contrário. Seus dias eram cada vez mais diferentes, longos e até certo ponto, inexplicáveis.

Mas ele tinha aquela única obrigação matinal, o que não era nenhum martírio. E tinha total noção, sem mostrar nenhum rancor ou alívio, que aquele seria seu último dia.

Se levantou rapidamente, tomou uma ducha rápida, colocou uma roupa descente e arrumou sua cama. Olhou pela janela do seu quarto e viu, lá de cima do sobrado a linha de trem que ligava a pequena cidade de Liederbach a grande metrópole Frankfurt junto com a imensidão daqueles campos de diversas plantações. O dia estava cinzento e ameno novamente. Em outros dias atrás ele acharia que estaria um frio ímpar, mas se acostumou rápido com aquele ambiente.

Foi direto à cozinha. A mesma estava impecavelmente arrumada. Tudo no seu devido lugar, com um papel de parede de flores amarelas, todos os utensílios de cozinha arrumados e o aroma de limpeza era absurdamente nítida. A chaleira começava a assobiar e imediatamente o rapaz se sentou a mesa com variedades mil para se tomar um café da manhã, mas tudo coisa simples. A riqueza de detalhes em uma simples mesa era fascinante. E mais fascinante ainda era o calendário com os meses de Abril e Maio na outra parede com todos os afazeres anotados metodicamente.

As observações do rapaz foram interrompidas pelo senhor alemão entrando pela porta da cozinha. O nome dele era Heinz. Tinha exatos 92 anos e uma lucidez e vitalidade alucinantes. Herr Heinz era tão ativo que sua destreza em servir a água quente no café do rapaz era igual de um homem de meia-idade.

O rapaz adorava tudo aquilo. Dificilmente alguém lhe servira café nos últimos tempos, alem da rotina paulistana que habitava seu dia-a-dia. Mas o café, os pães alemães e os diversos queijos que estavam na mesa eram mero detalhe para ele. A conversa de Herr Heinz era muito mais interessante do que tudo aquilo, dependendo, mais interessante do que o resto do dia.

O diálogo entre os dois era interessante. Uma mistura dos idiomas inglês e alemão, além de mímicas e adivinhações. Mas nada, absolutamente nada ficava sem ser entendido. Tudo era compreendido podendo demorar minutos para entendimento de apenas uma única palavra que dava sentido a conversa toda. Tudo era feito de forma paciente e com vontade de ouvir e falar de ambos.

Nas manhãs anteriores, Herr Heinz contou histórias mais do que interessantes. Havia contato seus negócios com os turcos e os italianos no bairro de Höchst, a construção de sua casa, os empregados croatas e poloneses ilegais que tinha nos tempos da guerra fria, a morte de seu irmão ao seu lado e seus projetos de engenharia e esconderijos suspeitos na Segunda Guerra Mundial e até sua curta carreira de jogador de Futebol na década de 30.

Mas naquela última manhã a história era diferente. Herr Heinz tomava ar para começar a falar e pausava. Através da janela olhava para o horizonte, pensativo. Tomava ar de novo e parava novamente, como se estivesse prestes a se arrepender do que fosse contar ou pronto á fazer uma confissão. O rapaz mal conseguia tomar seu café de tamanha apreensão e quase deixou derramar a xícara de café observando Herr Heinz de costas á ele, de frente a janela e fogão e olhando a paisagem cinzenta que acalentava aquela manhã.

Herr Heinz, em alemão e sem se importar se o rapaz fosse entender ou não, começou a falar da vida, propriamente dita. O rapaz ficou mais curioso ainda, afinal, um homem de 92 anos sabia como pouquíssimos o significado da mesma. Dizia que nada daquilo tinha mais valor à ele, apontando pela janela para um pequeno prédio que lhe pertencia. Dizia que seu único filho e suas netas não lhe davam atenção suficientes devido as suas atitudes azedas com eles em seus tempos de altivez e jovialidade. Dizia que se importava menos com o sol nascente, com a noite estrelada, com um sorriso de uma criança e com seu passado nebuloso e glorioso. Dizia, com uma lágrima escorrendo sua pele branca e envelhecida, que jamais alguém quis conversar com ele nos últimos 10 anos e segundo ele mesmo disse, com razão. Disse, com a voz trêmula, que aprendeu a ouvir as pessoas graças ao rapaz e aprendeu a falar menos, apenas o necessário, salvo alguma boa conversa. Disse que se tivesse aprendido isso há 50 anos atrás talvez tivesse mais amigos, mais gente ao seu redor e sua família não olhasse para ele com tanto rancor. E disse em voz lenta num bom alemão que até o jovem conseguiu compreender, que ele era o único amigo que talvez entendera toda a sua história, com o coração aberto e limpo, sem rancor ou preconceito, apenas adorando o ato de ouvir. Disse que talvez pudesse morrer em paz.

Naquele instante, o rapaz ficou petrificado. O café não descia mais e o pão ficou imóvel no prato. Seus olhos desciam pelas paredes procurando algum raciocínio, olhando alguma esperança nas palavras que acabara de ouvir e tentando entender tudo aquilo. O máximo que ele conseguiu falar foi um "Vielle Danke" olhando nos olhos de Herr Heinz, sem piscar, reagir ou fazer algum movimento brusco. O rapaz ainda tentou falar algo mais, mas nada saiu. As palavras simplesmente ficaram na mente e ele engasgava tentando emiti-las.

Aquele tinha sido o último café da manhã juntos. Dois dias depois o rapaz voltou á sua terra. Durante a viagem no avião ele lembrava de tudo que tinha passado nesses meses fora de seu país, nas conversas com pessoas de diferentes regiões, sotaques e costumes.

Mas a conversa que mais vinha a cabeça dele era, sem dúvida, o último café da manhã com Herr Heinz.

Após duas semanas em sua terra, o rapaz recebe um e-mail de seu parente vivendo no outro lado do oceano dizendo que Herr Heinz havia sido internado com infecção generalizada e que dificilmente conseguiria escapar da morte.

Na semana seguinte ele recebeu outro e-mail do mesmo parente avisando que Herr Heinz havia falecido, que os médicos haviam feito de tudo para tentar salva-lo, mas seu estado era deveras grave,

Naquele momento o rapaz entendeu aquela conversa no último café da manhã com Herr Heinz. Os olhos dele estavam marejados, uma parte pelo sentimento que havia pego de Herr Heinz, mas a maior parte era pela inestimável lição de vida que infelizmente só foi aprender com a morte de uma pessoa.

Em seguida ele limpou seus olhos, desligou seu computador, deu um abraço em sua mãe e foi conversar com seus irmãos sobre o cotidiano da vida.


Ele queria ouvir tudo e todos.