17 de abr. de 2010

O que ela tem que eu não tenho?

O Bruxo ainda tá tentando descobrir, mas ela tem.

Quanto mais discretos tentamos ser, mais chamativos acabamos nos tornando. Muitas vezes essa afirmação não é exceção, e sim regra de fato. Sumimos, desaparecemos, não sentem a nossa falta, mas quando reaparecemos, discretamente e paulatinamente, nos cobram sentimentos e atitudes foram do padrão. Aí a palavra "extrapolação" perde até o sentido pois algumas pessoas tem a pachorra de cobrar algo que não são obrigadas a receber de outras pessoas cuja a dor interior não é recíproca.

Nessas horas a esperança atrapalha, e muito. Chega a confundir memória com coração. Alguns casos a esperança faz com que essas duas coisas se fundem.

Difícil entender o que se passa na cabeça de uma só pessoa, quanto mais dezenas, centenas, milhares. Ainda mais de mulheres.

E para terminar, eis algumas das frases que as corujas trouxeram ao calabouço do Bruxo nestas curtas-longas semana:

"Você é um escroto, se acha a última bolacha do pacote!"

"Tá pensando que você é quem?"

"Foi assim, avassaladora?"

"Mas vc nem me deu uma chance!"

"Ao escolher ela você está jogando sua chance de ser feliz!"

E finalmente...

"O que ela tem que eu não tenho?"

20 de mar. de 2010

Fé

Esse texto foi encontrado num baú cheio de teia de aranha, escrito há algum tempo atrás e ainda nos dias de hoje condiz com alguns pensamentos do Bruxo.


Por mais que magias e consistências físicas cercam nosso redor exterior e interior a Fé faz com que tenhamos indubitável discernimento de aceitar ou não a índole de pessoas estranhas ou conhecidas, novas, senhores e senhoras, amigos e amigas, amores e paixões

Mais calejado que as mãos que escrevem esse texto, está esse coração, tão sofrido de pancadas e chutes chegando ao ponto de se perder a Fé em quase tudo.

Hoje, a única presença calorosa que encontra-se dentro do peito é essa vela acesa nessa noite caótica, fresca, silenciosa e estrelada, igual semanas atrás e apenas com esse pedaço de papel e uma caneta esferográfica azul, segurada de maneira tão simples e frágil mas rabiscando de forma deveras agressiva.

A Fé, que sempre foi a maior companheira e moradora desses muros sentimentalóides, vai-se embora devagarzinho pois cada ano, mês e dia que se passa encontra menos compaixão espiritual, mais arrogância e orgulho e muito mais silêncio alheio. A Fé, que geralmente era o que movia pensamento e pensador, abandonou esse peito porque não encontra mais consciência de amigos, inimigos, amores e pessoas simples e muitas vezes Dele mesmo depois de levar pessoas tão queridas, sem motivos e totalmente de forma injusta.

O corpo tenta não aceitar isso. Tenta manter a Fé dentro dele e cada vez mais se sente cansado mentalmente mesmo mantendo-se disposto fisicamente.

Mas o mundo é feito de injustiça através de pessoas e perguntas graças as suas consciências. As perguntas são o que movem o mundo, e não as respostas. Devido a isso, a Fé teve mais um motivo para abandonar esse mero corpo que um dia gostou de alguém, novamente, de forma incontestável, mas para variar a decepção mergulhou de cabeça nessa piscina sentimental, a mesma piscina que sempre teve espaço para apenas uma pessoa. Aí pergunta-se: Vale a pena? Será que tudo isso é tudo isso? Será que tem correção ou será tudo plágio?

Sim, pessoas plagiam as outras constantemente. As vezes de propósito, as vezes sem querer, mas no fundo somos todos iguais. Todos somos macacos. A Fé, que sabia disso tudo e ignorou desde o início, resolveu dar a cara a tapa e finalmente se importou.

Nem a Rosa que aflorava constantemente esse coração salvou sua persistência. O carnal fala mais alto e o coração fala mais baixo. A Fé tentava dar outros olhos ao coração, mas não tinha como enganar o óbvio.

E a Fé, devagarzinho, foi embora, esvairindo-se desses dedos cansados, desses olhos de vidro muitas vezes marejados, mas jamais foi embora pelas cordas vocais ou neurônios, pelo contrário.

Foi-se embora por todos os pelos e poros. Por pensamentos e instintos e muitas vezes por dores físicas e mentais. Não quis saber. Sem se despedir abandonou esse mero corpo, não frágil fisicamente, mas delicado em relação a outros corpos, irremediavelmente. A Fé deixou tudo isso à francesa, de forma elegante e com total consciência tranqüila, porque sabe que tentou, acreditou, insistiu e lutou. Deixou o corpo ser destruído. O mesmo vendo cada vez menos a deliciosa brancura e pureza dos sonhos, esses cada vez mais longos e intermináveis ao invés de tentar ver a pureza das pessoas. A Fé não queria ser destruída como o corpo está sendo. Preferiu desistir.

Finalmente ela foi embora. A Fé me abandonou.

Finalmente a Fé desistiu.

13 de fev. de 2010

Pluma

No mínimo inusitado e ao mesmo tempo engraçado.

Nossa vida, por mais que tentemos controlar, é incontrolável. Muitas vezes tomamos decisões que mudam radicalmente não só o destino, mas até nossa forma de ser, direta ou indiretamente. Mesmo assim essas decisões, escolhas e planejamentos sofrem algum tipo de desvio cósmico, muitas vezes inexplicável ao ponto de perguntarmos a nós mesmos, e à Ele, se existe algum tipo de intervenção divina em nossas vidas, fazendo que nossos caminhos sejam meros sopros no ar rarefeito, como uma pluma sendo levada pelo vento.

Nossa pluma, tão sensível e delicada, segue sem caminho e fica largada ao relento. Tem pessoas que gostam de viver assim e preferem desse jeito, outras pessoas conseguem guiar essa pluma à algum objetivo, mas ninguém, absolutamente ninguem é dono do destino de fato. Nossos destinos de vida podem até chegarem ao seu objetivo, mas sempre sofrem intervenções inexplicáveis, muitas vezes caminhos opostos e, como um sopro Dele, se desvia até para um caminho melhor, ou pior.

Há 20 anos o país todo passave por uma grande reforma política, social e até comportamental. Finalmente nossos pais podiam votar. Os proletariados tinham mais voz ativa (até demais) e poderíamos sentir o gosto da Democracia, mordernidade estrangeira e contato, de fato, com outros povos e culturas. Tudo era novo. Tudo começou a ficar moderno. E ha exatos 20 anos
minha pluma foi soprada da Ilha da Magia para a paulicéia desvairada. Nada foi planejado, pensado ou estava escrito nas estrelas, pelo contrário. Apenas aconteceu. Na idade infantil cheguei a selva de pedra estranhando quase tudo e estranhando quase nada. O olhar sobre as pessoas era o mesmo, afinal, uma criança olha tudo e todos com a mesma inocência, seja lá onde estiver.

Por um momento parecia que essa viagem era passageira. Alguns costumes, muitas condutas nos e principalmente a educação nos diferem das tribos urbanas, chegando a pensar que não fazemos parte disto aqui. Tentei guiar a plua de volta à minha terra, mas falhei miseravelmente. Na segunda falha aceitei meu destino. Aqui era o meu lugar e nesse lugar viverei por mais aguns anos, décadas, quem sabe? Fato que mesmo me sentido um passageiro fora desse trem conheci pessoas que ficarão encrustradas na minha alma para sempre. Se essa pluma não tivesse sido soprada para fora da Ilha da Magia eu não teria conhecido tamanhas almas generosas. Claro que sempre espetamos a mão em alguns espinhos mas, danem-se. Nada que um curativo trate desses meros arranhões.

Hoje essa pluma está quieta. Não pensa em sair dessa fumaceira e nem desses barulhos infernais que cercam nossa atmosfera 24 horas por dia. Não consegue imaginar se tivesse vivido em outro lugar ou se tivesse conhecido outras pessoas. Pensa-se no futuro, por mais insgtável que seja isso nos dias de hoje.

Por mais que esse Bruxo xingue esse eSPetáculo de cidade e muitas vezes perca a cabeça com ela, agredece, e muito, por ter essa selva de pedra incrustado no seu coração.

Agora, a pluma...

... ainda está presa aqui, mas continuará livre. Muito livre. Apenas os ventos do destino saberão o que fazer com ela.

6 de fev. de 2010

Ao relento com o vento.

As luzes passavam e brilhavam,

mesmo com a mente fechada,

ventos, com carinho, elucidavam,

a pele mais que aguçada.


Meus cabelos esvoaçavam sem parar,

o caminho parecia inacabado.

Pensamentos não queriam mais sessar,

via-se sonho atrasado.


Meu corpo freava e ia,

o coração sempre a palpitar.

Dona Noite disse que ela não vinha,

e no caminho continuava andarilhar


E as luzes não mais brilhavam,

sóis girando, sempre calculados.

Apenas estrelas me acompanhavam

Nossos medos se encontravam enrolados .


A pele não mais sentia,

o destino acompanhava o vento.

Corpo na guia, amor se esvairia,

e o sentimento largado ao relento.

17 de jan. de 2010

Humano Demais

O paradoxo que funde a consciência das pessoas nem sempre (ou quase nunca) pode ser explicado.

Quando somos gentis ao ponto de abrir a porta do carro à uma pessoa ou apenas puxar assunto quando o clima está extremamente ruim somos frouxos, piegas, cafonas ou até intrometidos.

E quando fazemos questão de sermos diretos, concisos e demonstrar que realmente não temos sentimentos a trocar com alguém, somos grossos.


Mas no momento que somos menos humanos nos tornamos mais humanos ainda, afinal, as pessoas se acostumaram com o calejamento interno que tem de outras pessoas fazendo assim uma caparaça espiritual ímpar e impenetrável. Criam bolhas externas e interna de auto-proteção, auto-piedade e se isolam cada vez mais dos outros, além de se comunicarem cada vez menos.

É estranho a reação quando se convida alguém para se tomar um simples café e imediatamente vem uma resposta negativa, pronta, quase que decorada e já formulada na ponta da língua. O convite fica tão esdrúxulo e sem gosto que dificilmente será feito novamente ou, se for feito, será apenas em casos extremíssimos.

Hoje as pessoas tem contato com outras pessoas em diversas regiões do planeta graças a revolução virtual, mas não sabem nem o nome do seu vizinho da sua frente.

Hoje as pessoas se interessam mais pelos problemas do vizinho da frente que nem sabem o nome por mera fofoca do que a pessoa que mora em outra região do planeta, que realmente precisa desabafar.

E assim vai passando ano após ano. Algumas arestas pessoais, intelectuais e até espirituais vão se acertando, mas a raíz do problema leva anos e anos a fio para se arrumar, acertar e depois polir.

Vai passando anos após ano e as rugas, responsabilidades, metas e contatos aumentam, mas os relacionamentos de verdade dimunuem, mas continuaremos a pular as sete ondinhas no último dia da virada do sol, a pedir a Deus, seja lá ele Ocidental ou Oriental, um ano "melhor" ao invés de raciocinarmos para nós mesmos.

Cada vez mais aprendemos a olhar e cada vez menos aprendemos a enxergar.

Cada vez mais aprendemos a achar e cada vez menos aprendemos a ouvir.

Quase sempre omitimos e quase nunca somos verdadeiros.

Passa ano, vem ano e as pessoas se tornam cada vez menos Humanos.

Ou se encontram Humanos demais?

1 de jan. de 2010

Máximas de 2009

Eis algumas máximas colhidas desde o primeiro até o último dia de 2009.



- Saudosismo demais é retrógado.

- Rotular é limitar.

- As vezes o café é companhia melhor do que pessoas.

- Pensamentos demais páram pessoas, mas pensamentos de menos imobilizam os mesmos.

- Morena não é a cor do pecado.

- Os homens não preferem as loiras.

- Sentir medo faz bem.

- Os inteligentes nem sempre estão certos.

- Dinheiro não atrai Fé, mas a Fé atrai dinheiro.

- Fé, da pior forma possível, também separa pessoas.

- É mais nojento vomitar palavras do que vomitar a janta.

- Pessoas te olham, olham, olham, mas não te enxergam.

- Nem sempre quem está ao seu lado te faz companhia.

- Nem sempre quem está ausente te deixa sozinho.

- A melhor luz é aquela enxergada com os olhos fechados.

- Pessoas que gostamos continuarão nos machucando, seja lá quem forem.

- Inevitavelmente machucamos pessoas que gostamos, mesmo sem querer.

- O essêncial é invisível aos olhos. (essa é dela, não minha!)


Ano terminado, página virada. Vamos tudo de novo.

13 de dez. de 2009

Entre

Entre nossos lábios, existiu quase nada,
entre palavras, tentávamos nos entender
Entre muros e grades vivíamos nossas vidas,
entre nossas vidas, sem vida, tentávamos viver.

"Entre". Foi assim que me disseste quando cheguei ao se apê.
entre um café e outro, pensava em te perder.
Entre aspas sempre ficavam a nossas conversas,
entre nossos caminhos, uma mágoa, um bem-querer.

Entre tuas pernas tentamos fazer as pazes,
entre lágrimas e sorrisos tentávamos compreender.
Entre a química que nos mexia ou nos comovia,
entre o ceu e o inferno, quase a nos padecer.

Entre o dia e a noite nossa rotina era diferente,
entre pensamentos e pessoas, tentavas me esquecer.
Um existiu ao outro, sempre entre parênteses,
nunca um entre o outro, mas separados, à morrer.