5 de mai. de 2009

Inerte

Das folhas que o outono levam ao chão,
minhas esperanças vão e vem,
caem como bigornas as vezes em vão,
minha frente vejo folhas, mais ninguém.

Da pluma levada pelo vento sem fim,
meu destino segue indefinido, sempre.
Contento-me com a clareza do inesperado,
prejudicando-me, elogiando-me, em frente

Da poeira jogada ao espaço, sem destino,
minha vida vaga sem lógica ou sentido.
O acaso é o terror da razão, sem dúvida.
A razão que nunca me deu ouvido.

Nessas noites mornas e vagarosas,
meu espírito transcende meu corpo, liberte.
tento fugir mas não consigo,
Tento viver e morrer, inerte.

OBS: Escrito há exato 1 ano em um das noites da Alemanha.

16 de abr. de 2009

Acabou!

Finalmente acabou o dia!

Por um momento, pensei que o dia 15 de Abril de 2009 jamais finalizaria.

Certos dias precisam ser esquecidos mas esse, em especial, precisa ser lembrado como o fundo do poço.

Será que foi?

Nunca fui tão mal no serviço como hoje. No ramo em que o bruxo atua, Deus praticamente não existe. Não adianta rezar, orar, resmungar. Precisa executar, na hora, no ato, as vezes no puro instinto. Mas hoje foi totalmente exceção. Uma informação transformou tudo. Em 2 minutos fui do céu ao inferno. Parecia que o tinhoso estava dançando ao lado do caldeirão vermelho borbulhando, segurando seu tridente, olhando pra cima gritando: "E aí, vem ou não vem?"

Olhei para baixo e quase fui. Mas o bruxo anda cada vez menos metafísico e mais fisico. Então, fiquei. Mas que deu vontade de ir, deu.

Para tentar esfriar a cabeça terminei meu expediente mais cedo. Fui visitar um amigo e fui de carro. Mas, para variar, o mesmo me deixou na mão, pq não tinha gasolina. Eu sei, eu sei. Tb perguntei a mesma coisa. Mas aquela famosa lusinha "Piscou, fodeu" ferrou comigo, pq não acendeu. Resultado? Ficamos a ver navior, ou melhor, o trânsito. Sorte que a fubica parou pertinho de casa.

A cereja do bolo foi ligar a televisão, coisa rara que ando fazendo e perder duas horas para ver meu time perder pela segunda vez seguida, outra coisa rara.

Sem contar que durante o dia inteiro só pessoas que eu desejava não ligar, me ligaram.

Era pra dar tudo errado hoje. Lembrei daquela letra do Lobão. Em muitos momentos, caia muito bem em mim:

"Indefinível.... Só não tente se matar, pelo menos essa noite, não."

8 de abr. de 2009

Depressão porque?

Nascemos de carne, mas precisamos viver como fôssemos de ferro.

Sigmund Freud já sabia disso antes de muita gente, isso no século passado.

E hoje pessoas tem depressão, sem auto-estima com pouco amor próprio.

Chega a assustar.

Essa frase de Freud nunca foi tão verdade como nos dias de hoje. Nessa década desse novo milênio, pessoas estão mais sozinhas, egoístas e tristes. Pior, por opção. Mesmo nesse mundo cheio de gente, algumas poucas interesssantes, as pessoas estão preferindo se isolar. Convenhamos, é a opção mais cômoda.

Aí vem o ser-humano tentar criar uma cura pra tudo isso. Pra variar, complicamos. Tentamos ir pelo caminho mais curto. Inventamos pílulas revolucionárias, tratamentos de motivação e seja lá o que for para tentar curar essa nossa tristeza urbana, medonha e doentia.

Outro dia vi na Tv um tratamento contra depressão onde o paciente era picado por abelhas nas costas, perto da coluna cervical. Segundo o médico, a picada da abelha libera uma substância que faz o cérebro agir com maior facilidade, fazendo com que o estado psicológico da pessoa mude consideravelmente.

O coitado do rapaz tinha mais de 10 picadas de abelha nas costas. Chegou a parecer o corcunda de Notre Dame. Ficou todo contente com um sorriso no rosto, fazendo sinal de positivo.

Não satisfeito, vi também na televisão um tratamento onde implantaram um chip dentro da cabeça da paciente dando micro-descargas elétricas na caxola da moça. O estado de humor da paciente melhorava a cada descarga elétrica. Chamavam de marcapasso cerebral.

A paciente, mesmo com a cabeça toda aberta e cortada, aprovou o método na hora, dando um largo sorriso também.

A saideira foi ver inventores japoneses criando cachorros-robôs para aumentar a felicidade das pessoas. Quem se apegavam mais aos bichos eram mulheres e crianças, lembrando aquele famoso bichinho virtual chamado Tamagoshi. Quem não lembra?

É mais fácil de cuidar. O bicho não defeca, não urina, só late ou mia quando vc quer, não enche o saco bastando apenas apertar o botão off para fazer o danado calar a matraca. Dando menos trabalho a pessoa fica mais feliz.

O pior não foi ver as pessoas acariciando os bichos de plástico com pêlos sintéticos com o maior amor do mundo, e sim ver os cientistas afirmarem que aquele era o futuro, era a tendência das pessoas. E ai de alguém se disesse que aqueles bichos eram "apenas" robôs.

Por mais que doesse ouvir aquilo, os cientistas estavam certos.

Sem contar as inúmeras terapias com psicólogos que te prendem por anos e anos, terapeutas, florais, insensos, meditações, super-híper-alimentação balenceada e... ufa! Cansa! Alguns desses métodos resolvem parcialmente, nisso eu concordo, mas algumas pessoas ficam pior porque acabam se achando mais lunáticas, o que não é verdade. Acabam achando que aquilo é extremamente necessário para ficar "curado" e até certo ponto, acaba sendo um belo de um efeito placebo sem perceber.

Sem querer todos esses tratamentos viciam. A pessoa fica dependente.

Enquanto isso, todo mundo, inclusive o bruxo, esquece de uma simples coisa.

Olhar pra si mesmo.

Provavelmente não é o melhor tratamento do mundo, nem o mais eficiente, mas tentar conhecer a si mesmo é, sem dúvida, o melhor começo antes de partir para a tão absoluta ciência ou tratamentos naturais-flagelantes com um pingo de Hippie na alma, achando que tudo natural faz bem, sem questionar. Algumas pessoas realmente precisam de ajuda. Isso é fato. O ser-humano felizmente não é exato e cada caso é um caso. Muita gente não tem noção do mundo que o cerca e nem do mundo que não o cerca. Alguns são eternos insatisfeitos, outros estão clinicamente doentes, outros são Emos por opção, outros tem falta de sexo, mas todos se entregam aos outros sem botar um pingo de confiança em si próprio, o que é trágico.

Ahhh, se as pessoas olhassem pra si mesmas. Fechassem os olhos, esquecessem o barulho, não dormissem e por alguns instantes pensassem em tão quão afortunadas elas são.

Se fizessem isso, esse bruxo com certeza não precisaria dar um tapa com luva de pelica e provavelmente não escreveria essa brochura virtual pra se ocupar e preencher o vazio em seu peito.

1 de abr. de 2009

Jurei

Jurei nunca mais falar contigo.
Deus é testemunha.

Jurei te criar em meus piores pesadelos.
Meus sonhos são as provas .

Jurei jamair citar sua pessoa.
Pessoas são cúmplices dessas palavras.

Jurei não cogitar sua existência.
Meu travesseiro foi quem mais ouviu isto.

Jurei te eliminar de mim, como uma doença.
Minha rotina presenciou essa cura

Jurei não ter mais carinho por você.
Meu raciocínio foi meu principal mentor.

Jurei não te lembrar mais,
Meu passado, deletado, procurou o futuro.

Jurei jamais te adorar.
Rancor foi o único sentimento que consegui encontrar.

Jurei não mais derramar lágrimas.
Meus olhos, secos, se negam a chorar.

Mas meu coração,
meu fraco e patético coração,
não.

21 de mar. de 2009

Abençoado Outono!

Finalmente, desligaram o forno.

Todos falam que apenas brasileiro gosta de calor. Isso é uma grande bobagem. Na verdade quase todos os seres-humanos adoram tempo quente, aberto, sem chuva. Vi isso na Europa. Com exceção do tiozinho aqui, que não abre mão de um tempo ameno, cinzento, friozinho, garoando. Não é a toa que o bruxo sempre vem a tona nessa época do ano. Finalmente posso exibir minha pele branca opaca, andar de calça, não fugir mais do sol e usar menos óculos-escuro.

Sim Juvenal. Sei que sou bem estranho, mas convenhamos, o Verão deixa as pessoas fora de si. Porque cargas d´agua as pessoas ficam mais eufóricas, empolgadas, vagabundas e misteriosamente, inventam desculpas pra tudo deixando tudo pra amanhã?

Vai saber.

O Outono não é uma simples estação. É o enceramento do ano anterior. Aquele êxtase de Natal, final do ano e carnaval literalmente encerra-se. Finalmente o ano começa de verdade. As pessoas se concentram mais, levam os assuntos, por mais medíocres que sejam, mais a sério e trabalham mais, por mais estranho que seja.

Sou careta. Disso ja me conformei. Quanto mais escrevo essas maluquices aqui nessa brochura virtual, mais as pessoas se afastam. Teve um trio que chegou a não só me chamar, mas me julgar de doido. Adorei.

Continuando nesse rítmo separo bem as águas que me cercam. Chega de água salgada. Sou marinheiro de água doce mesmo e com orgulho. Tudo devido ao Outono.

O que mais adoro no Outono nem é tudo isso que acabei de escrever a pouco, e sim o fato das pessoas começarem a agir normalmente. Quase todos deixam sua origem símia em casa, seu instinto animal diminui gradativamente e os hormônios dão lugar a pensamentos de possíveis consequências pós-mera-casualidade.

Dessa forma, machuca-se menos gente.

Mas apenas no Outono.


15 de mar. de 2009

A sensibilidade da Vida

E ele continuou ali, parado.

A chuva continuava a cair em seu capecete. Segurando seu fuzil, sentia os braços pesados e cansados devido ao peso. Seus dedos pareciam enferrujados. Doíam constantemente. As vestes molhadas contribuiam para que esse cansaço aumentasse, deixando seu uniforme mais pesado.

Suas pernas apenas rastejaram seu corpo para aquela trincheira, tão imóveis, estáteis e até certo ponto, trêmulas.

Seus pensamentos o abandonaram, fazendo com que sua mente apenas se concentrasse nas balas que vinham em sua direçao, no suposto inimigo que o odiava.

Enterrou seu rosto na terra. Zunidos de tiros raspavam seu capacete sendo utilizado apenas para ouvir-se o tilintar das gotas pesadas.

Era noite. Não via-se um palmo a sua frente. Via-se apenas raios amarelos cruzando as trincheiras, de um lado a outro. Alguns eram certeiros, outros tinham o destino de Deus de errar homens. Seus companheiros estavam ao seu lado, gritando e berrando sem parar, chamando seu nome em vão.

Não conseguia distinguir uma voz.

Não conseguia distinguir uma palavra.

Não conseguia distinguir tudo aquilo.

E pensou: "Afinal, porque eles são meus inimigos?".

Mesmo assim, no meio de tantos gritos, berros e tiros, ouviu a ordem de seu sargento para avançar.

Hesitou por milésimos de segundos. Sua vida passou toda em sua cabeça. Sentiu a vida pulsar em apenas uma decisão, sensível como um fio de seda entregue nas mãos do destino. Viu seus companheiros avançando. Estava tudo escuro. Ninguem via ninguém.

E avançou quase em seguida. Podia sentir as balas raspando em seu uniforme. Podia ouvir alguns amigos, com quem aprendeu a a conviver durante anos, caindo ao seu lado, esparramados. Na corrida pela vida, olhou para seu lado esquerdo e via vultos de homens correndo desesperadamente, alguns continuando, outros caindo aos poucos, mas todos tentando.

Lá, ele era apenas número. "Um terço do pelotão morre no caminho em um ataque como este, Em compensação, o inimigo jamais espera tamanha loucura." dizia um amigo dele numa conversa de bar.

Suas pernas tinham vida própria e seus olhos enxergaram coisas que jamais enxergariam em situações normais. Após pular a trincheira inimiga, miraculosamente não encontrou nenhum soldado para lhe atacar.

Pegos de suspresa, todos estavam sendo massacrados pelos seus amigos. Após não conseguir ver bem quase nada, podia muito bem ver alguns de seus amigos atacarem com a ponta de suas baionetas ou dando tiros a queima roupa.

Podia muito bem sentir a dança da morte, tão perto da sua alma.

E sem apertar o gatilho, ouvindo o desespero de homens sendo mortos, deixou cair seu corpo debaixo de uma árvore e sentiu a sensibilidade da vida.

Seus lábios começaram a ficar trêmulos. Lágrimas escorriam de seus olhos cansados, inertes e vazios.

E chorou.

Em prantos com as mãos no rosto igual a uma criança, chorou.

10 de mar. de 2009

Depois de uma volta ao Sol.

Exato 1 ano atrás comecei a fazer esse brog. Até hoje me pergunto como consegui manter o mesmo. As vezes cansa, as vezes não tenho inspiração e as vezes confesso que essa brochura atrapalha e sei por intuição e rastros deixados que essa brochura causa fofoca.

Mesmo assim dou a mínima.

Fato é que mensagens telepáticas virtuais de vez em quando chegam aos meus olhos e, pásmem, ouvidos, como se me importasse quem fala de quem ou aquele fulano acessa seu blog.

Para felicidade de poucos e infelicidade de muitos, continuarei postando. Sem rítmo certo, sem prazos ou regras. Será no rítmo da metamorfose ambulante.

Todas as pessoas no mundo cansam, até o bruxo. Quem sabe ele queira trocar a brochura por outra coisa?

Quem sabe.